domingo, 30 de dezembro de 2007

Padre José Maurício de Nunes Garcia

Fonte da imagem: http://www.bn.br/fbn/musica/pdejosemauricio/pdejosemauricio.htm José Maurício

De José Mauricio são conhecidas 240 obras musicais, mas de acordo com os seus primeiros biógrafos, sua produção seria quase o dobro deste número. Esta quantidade, e a qualidade das suas obras, o tornaram um dos mais importantes compositores do Brasil, ainda colônia na época. Hoje, graças ao extraordinário trabalho da professora Cleofe Person de Mattos (1913-2002), José Mauricio é o único compositor do período colonial brasileiro cuja biografia está estabelecida, e suas obras restantes estão inteiramente catalogadas (1).

Vídeo

Miriam Leitão entrevista o maestro Ricardo Prado e falam sobre a história do primeiro gênio da nossa música (e do mundo), o padre José Maurício de Nunes Garcia, e Marcelo Fagerlande interpreta peças de O Método de Pianoforte do Mozart da Rua das Marrecas, 40, no Rio de Janeiro.

Ano Novo

Com este último post encerro o ano de 2007 homenageando José Maurício. Desejo um Feliz Ano Novo aos visitantes do blog. Faço votos de paz, amor, felicidade, saúde e dinheiro, extensivos a todos, inclusive familiares, amigos, companheiros e colaboradores.

Vídeo

Assista o programa comentado enquanto ele está disponível no site GloboNews (2).

Notas: (1) fonte do texto site oficial de José Mauricio Nunes Garcia; (2) para quem quer uma cópia (para uso privado), há um modo comentado no site YAHOO! Respostas.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Severino Araújo e sua Orquestra

Orquestra Tabajara

A Orquestra Tabajara foi fundada em 1934, em João Pessoa. Com a inauguração da Rádio Tabajara na cidade, a orquestra foi contratada para fazer parte de seu elenco. Assim, Severino Araujo foi convidado para integrar o naipe de sax da 'Jazz Tabajara' que já contava com músicos famosos dos quais destacaram-se: K.Ximbinho, José Leocadio, Geralso Medeiros, Porfírio Costa, Raimundo Napoleão. Cláudio de Luna Freire, Olegario de Luna Freire (diretor), e outros. Com a morte repentina de Luna Freire, Severino Araujo, com apenas 21 anos de idade, assumiu a direção daquela que é considerada a mais famosa orquestra popular do Brasil.

Rádio IMS

A equipe da Redação da Rádio IMS produziu uma seleção de músicas em homenagem ao maestro e sua orquestra.

Músicas (06/11/2007)
  • Brejeiro - (Ernesto Nazareth)
  • Feitiço da Vila - (Noel Rosa, Vadico)
  • Um Chorinho Delicioso - (Severino Araújo)
  • Cidade Maravilhosa - (André Filho)
  • Rhapsody in Blue - (G. Gershwin)
  • Malicioso - (Geraldo Medeiros)
  • Guriatã no Coqueiro - (Ratinho)
  • Lágrimas de Colombina - (Lourival Oliveira)
  • Paraquedista - (José Leocádio)
  • Oh, Clarinete Gostoso - (Severino Araújo)

Ouça a seleção com gravações da big band visitando a Rádio IMS.

Maria José Carrasqueira

A pianista Maria José Carrasqueira apresentou um recital, no IMS-Poços de Caldas, com peças compositores eruditos, inclusive, de três importantes compositores brasileiros: Ernesto Nazareth, Almeida Prado e Odmar Amaral Gurgel.

Ernesto Nazareth

Da lavra de Ernesto Nazareth são as belíssimas composições Eponina, Odeon, Elegantíssima, Ouro Sobre Azul, Improviso e Fon-Fon.

Odmar Amaral Gurgel

A propósito, embora na relação das peças divulgada na Rádio IMS conste que Zênite é de autoria de Nazareth, cabe aqui uma pequena correção. Luiz Antonio de Almeida em seu Catálogo Oficial da Obra de Ernesto Nazareth esclarece: " Zênith trata-se de composição da autoria de Odmar Amaral Gurgel (1909/1992), o popular maestro “Gaó”, segundo informou-me, o próprio, em entrevista datada de 16 de novembro de 1988".

José Antonio Resende de Almeida Prado

Fazem parte do repertório do recital, ainda, A estrela Supernova de Tycho, Constelação I - Columba, Constelação II - Pegasus, Aglomerado Globular - NGC 47, Luz Anti-Solar, Constelação III - Lupus e Constelação IV - Phoenix, todas de Almeida Prado, considerado um dos expoentes da criação musical brasileira da atualidade.

Músicas do Recital (30/10/2007)
  • Allegretto e Inocente - Haydn
  • Presto - Haydn
  • Moderato - Ravel
  • Movimento de Minueto - Ravel
  • Animado - Ravel
  • A estrela supernova de Tycho - Almeida Prado
  • Constelação I - Columba - Almeida Prado
  • Constelação II - Pegasus - Almeida Prado
  • Aglomerado Globular - NGC 47 - Almeida Prado
  • Luz Anti-solar - Almeida Prado
  • Constelação III - Lupus - Almeida Prado
  • Constelação IV - Phoenix - Almeida Prado
  • Eponina - Nazareth
  • Odeon - Nazareth
  • Elegantíssima - Nazareth
  • Ouro Sobre Azul - Nazareth
  • Improviso - Nazareth
  • Zênite - (Gaó)
  • Fon-fon - Nazareth

Rádio IMS

A gravação do recital está disponível para audição, em conexão discada (qualidade FM), ou banda larga (qualidade CD) no site do IMS - Instituto Moreira Sales. Visite sempre o instituto que possuí o maior acervo de música popular brasileira da internet e ouça, sempre, as excelentes edições produzidas pela Redação da Rádio IMS.

Altamiro Carrillho

Os fãs de Altamiro Carrilho podem ouvir na Rádio IMS algumas das composições do flautista, e em parceria com outros autores. A seleção está disponível para audição com conexão discada (qualidade FM) ou banda larga (qualidade CD). Confira as músicas da seleção do dia 11/12/2007.
  • Rio Antigo - Altamiro Carrilho"
  • Aconteceu no Grajaú - Britinho
  • Samba de Morro - Altamiro Carrilho
  • Trabalhoso - Altamiro Carrilho/Fernando Ribeiro
  • Saliente - Altamiro Carrilho
  • Jabuti - Hélio Latini
  • Ziza - Altamiro Carrilho
  • Flauteando na Chacrinha - Altamiro Carrilho/Ari Duarte

Visite sempre o IMS - Instituto Moreira Sales e ouça as ótimas seleções produzidas pela Redação da Rádio IMS.

Whitney Eugene Thayer

Fonte da imagem: OSH - Organ Historical Society Journal and Review

O organista, professor e compositor americano Whitney Eugene Thayer (1838-89), foi o criador do Organists' Journal and Review, em 1874-77. Trata-se de um jornal trimestral, exclusivamente projetado para organistas que foi a primeira publicação americana precursora de periódicos como The Diapason, The American Organist, and The Tracker. Cada volume do jornal contém comentários, relatórios e informações técnicas de órgãos específicos nos USA e no estrangeiro, artigos escritos por Eugene Thayer e outros outros colaboradores. Contém, ainda, 62 composições para órgão de Liszt, Rossini, Chadwick, Merkel, Guilmant, Lemmens, Hesse, Battmann, e muitos outros, sendo 28 peças da própria lavra de Thayer. O compositor publicou originalmente, em 1877, tudo isso em um só volume com 242 páginas.

OSH - Organ Historical Society

Recentemente, o site especializado em pipe organ (livros, partituras, CDs, vídeos), OSH - Organ Historical Society, publicou esse trabalho muito informativo, biográfico e musicológico, anotou,
e incluíu uma introdução escrita por Allison Alcorn-Oppedahl, seu sócio, e adicionou uma lista das composições de Thayer, publicações e lugares onde trabalhou e estudou.

Donwload de Partituras

Neste post relacionamos algumas partituras de composições de Tahyer, que localizamos na Biblioteca do Congresso Americano e estão em domínio público.

  • Complete Organ School
  • Complete Organ School
  • Concert Variations on the Choral Nuremburg
  • Grande Offertoir de Concert
  • Grande Offertoire de Noel
  • La Contemplation
  • La Devotion
  • My Shepherd is the Living God
  • Offertoire for Vox Humana
  • Organ Music for Church Service
  • Organ Recital Music, No.1, Ave Maria
  • The Art of Organ Playing
  • Three Adagios, Op. 256, No.1-3
  • Variations on Auld Lang Syne
  • Variations on the Sicilian Hymn
  • Voluntaries Responses: Book I

Para baixar as partituras, por favor, visite Score.ePartitura.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Internet Archive / UDL - Million Book Collection

Logos do Internet Archive e da Universal Digital LibraryO projeto Million Book Collection é uma coleção de livros escaneados que tem como missão criar uma biblioteca universal para fomentar a criatividade e permitir livre acesso ao conhecimento humano.

A National Science Foundation provê os recursos para equipamento (scanners, computadores, servidores e software), a Índia e China fornecem a força de trabalho, e várias companhias e fundações dão apoio parcial ao projeto.

Alguns Livros Sugeridos

University Musical Encyclopedia a History of Music
Great Composers and their Work
Great Violinists and Pianists Corelli to Paderewski
J.S. Bach Volume 1
Bach's Organ - Registration
Ornamentation in J. S. Bach's Organ Works
Masters of German Music
The Forty Eight Preludes and Fugues of J. S. Bach
Johann Sebastian Bach
The Organ Works of Bach

Esclarecimento

Por questões relativas a copyright os arquivos com as obras supracitadas não estão armazenadas no servidor de Score.ePartitura.

Download

O projeto MBC mantém os vínculos que apontam para os arquivos com os livros hospedados em seu servidor localizado nos USA. Use-os por sua conta e risco. Para baixar consultar os livros visite Score.ePartitura e faça o download direto do site The Internet Archive.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Les Maitres Contemporain de L'Orgue

Capa do Volume Nº 1 da antologia Les Maîtres Contemporains de l'Orgue

Recentemente localizei em uma coletânea de peças para órgão ou hamonium, na Sibley Music Library, com várias obras de compositores brasileiros. Essas peças inéditas foram recolhidas e publicadas, em 1911, em oito volumes, pelo Abade Joseph Joubert (1878-1963), organista da Catedral de Luçon, em Paris, na antologia Les Maîtres Contemporains de l'Orgue, edição de Maurice Senart & Cie, Paris. Os volumes 1-2,4 (manual apenas) são dedicados à escola francesa; os volumes 3, 5-6 (manual apenas) às escolas estrangeiras; e os volumes 7-8 ao grande órgão (manual e pedal).

Compositores Brasileiros da Antologia

Octavio Bevilacqua, Berceuse, Volume 5
Francisco Braga, Offertoire, Volume 5
Silvio Deolindo Froes, Cantique à Ste Anne, Prélude, Postlude, Volume 5
Alberto Nepomuceno, Prélude et Fugue, Volume 6, Offertoire, Volume 7
Henrique Oswald, Aria, Volume 6
Glauco Velasquez, Quattre Pièces (Prélude, Intermezzo, Chorale, Finale), Volume 6

Arnaud Duarte de Gouveia, Offertoire, Volume 5

Glauco Velasquez

As composições de Velásquez são mencionadas no livro Glauco Velásquez, uma pequena biografia e catálogo de suas obras, de autoria de Maria Cecília Ribas Carneiro, José Maria Neves e coordenado por Vasco Mariz. Eu comprei este livro na Plurarte. As peças também são citadas no artigo Música para Órgão Solo de Compositores Brasileiros, de autoria de Dorotéa Machado Kerr. Leia o artigo completo aqui. Outrossim, três das composições (Prélude, Chorale e Finale) achamos, ainda, numa cópia autógrafa de Adelina Alambary (sua mãe), pertencente a Biblioteca Digital da Escola de Música - UFRJ.

Dowload das Partituras

Clique aqui para visitar o site Score.ePartitura e baixar as partituras diretamente da Sibley Music Library.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Alex Guilmant

Fonte da imagem: http://facstaff.uww.edu/allsenj/MSO/NOTES/0708/1.Sep07.htmlO compositor e organista Alexandre Guilmant (1837-1911), foi professor e fundador, junto com Vincent D’Indy (1851-1931) e Charles Bordes (1848-1910), da École de Chant Liturgique et de Musique Religieuse, também conhecida como Schola Cantorum, em Paris. Guilmant era autodidata e também foi editor de música. Ele gozou de grande fama como recitalista na Europa e na América do Norte e ocupou o cargo de organista na igreja Trinité, em Paris. Além de compor um grande número de peças para órgão, peças vocais e sacras, trabalhou em numerosas edições de obras para órgão dos sécs. XVI ao XVIII. O compositor brasileiro Alberto Nepomuceno (1864-1920) estudou órgão na classe de Guilmant, entre os anos de 1894 a 1895.

Este post tem como alvo os organistas interessados no estudo das composições do mestre francês, e que estão disponíveis no álbum de partituras The Pratical Organist, em três volumes. Clique aqui para baixar as partituras, no formato PDF.

sábado, 15 de dezembro de 2007

DME - Digital Mozart Edition: Series IX - Piano Music

W. A. Mozart - fonte da imagem: Joseph Muller Collection of Music and Other Portraits at http://digitalgallery.nypl.org/ Agora já podemos podemos estudar a obra completa de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).Todas as partituras do mestre estão disponíveis gratuitamente na internet, por iniciativa da Fundação Internacional Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do compositor, em decorrência das comemorações dos 250 anos do seu natalício. Graças ao projeto Digital Mozart Edition, uma iniciativa do Internationale Stiftung Mozarteum em colaboração com o Packard Humanities Institute, todas as partituras do gênio autríaco da era clássica podem ser baixadas, para uso privado e em salas de aulas, sendo porém terminantemente proíbido o seu uso para fins comerciais. No site DME - Digital Mozart Edition estão disponíveis mais de 600 composições de Mozart, classificadas em séries, que vão dos cantos litúrgicos aos concertos para orquestra, passando por música de câmara, obras para instrumentos de teclas (piano, cravo, órgão).

A versão digital oferece, além das partituras no formato PDF, textos e comentários críticos da Neue Mozart-Ausgabe (Nova Edição das Obras de Mozart), editado pela Internationale Stiftung Mozart em cooperação com cidade de Augsburg, Salzburg, e Vienna. A versão impressa foi publicada por Bärenreiter-Verlag e tem restrições de copyright para sua reprodução, particularmente o suplemento da edição, de modo que não é abordada nem utilizada neste site por Score.ePartitura.com.

Confira a relação das obras disponíveis nessa série para piano na relação abaixo:

DME - Digital Mozart Edition: Series IX - Piano Music

• Works for two Pianos
- NMA IX/24/Abt. 1 (Ernst Fritz Schmid, 1955, BA 4501, 51 pages)

• Works for Piano Four Hands
- NMA IX/24/Abt. 2 (Wolfgang Rehm, 1955, BA 4503, 154 pages)

• Piano Sonatas vol. 1
- NMA IX/25/1 (Wolfgang Plath and Wolfgang Rehm, 1986, BA 4600, 142

• Piano Sonatas vol. 2
- NMA IX/25/2 (Wolfgang Plath and Wolfgang Rehm, 1986, BA 4601, 188

• Piano Variations
- NMA IX/26 (Kurt von Fischer and Eduard Reeser, 1961, BA 4525, 160

• Piano Pieces vol. 1: Music Books
- NMA IX/27/1 (Wolfgang Plath, 1982, BA 4583, 175

• Piano Pieces vol. 2: Individual Pieces
- NMA IX/27/2 (Wolfgang Plath, 1982, BA 4584, 187


Clique aqui para fazer o download das partituras.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Mozart: Sonata in A minor




Alfred Brendel, ao piano, intepretando a "Sonata in A minor" de W. A. Mozart.

Mozart: Sonata In A Major, K. 331, Menuetto




Robert Hamilton, ao piano, interpretando a "Sonata In A Major, K. 331, Menuetto" de W. A. Mozart.

Chopin: Nocturne Op. 27, No.2 in D flat Major




Daniel Pollack, ao piano, interpretando "Nocturne Op. 27, No. 2 in D flat Major" de Chopin

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

The International Music Score Library Project (IMSLP)

International Music Score Library Project (IMSLP)O recém-nascido media wiki de compartilhamento de partituras INSLP.org - "sister" do site PianoSociety.com - encerrou suas atividades. O wiki era um grande repositório de partituras grátis, em domínio público, para onde os arquivos eram carregados, pelos próprios usuários que também podiam baixa-los.

Aparentemente partituras de Béla Bartók, e de outros compositores cujos direitos autorais pertenceriam à Universal Edition, tradicional casa editora de música fundada em Viena, em 1901, foram carregadas para o site e baixadas pelos seus usuários, fato que incomodou os proprietários das obras que se sentiram prejudicados em seus interesses e acusam o IMSLP de quebra de copyright.

De fato, muitos usuários carregaram para o wiki composições protegidas por copyright, a exemplo de trabalhos de Béla Bartók, cujas obras estão protegidas por copyright, nos USA. Muitos outros importantes compositores que estavam em Public Domain (PD) no Canadá, onde está hospedado o IMSLP, mas que ainda estão protegidos nos USA, no Brasil e em outros países, eram disponibilizadas no IMSLP, não obstante os avisos emitidos pelo wiki alertando os usuários sobre essa peculiaridade jurídica. Essa bliblioteca digital de partituras compartilhou com seus usuários durante os últimos meses um crescente número de obras de compositores que pertencem a porta-fólio comercial de publicadores de música impressa. Muitas das obras distribuídas pelo IMSL debaixo de licenças Creative Commons, eram propriedade de tradicionais editoras de música impressa que ainda comercializam as partituras impressas, em venda direta ou através de "dealers" pela internet ou que revendem os seus produtos no comércio tradicional nas grandes cidades.

A Sibley Music Library - Eastman School of Music da University of Rochester (USA)A Sibley Music Library que pertence a Eastman School of Music da University of Rochester (USA), mantém na internet um repositório de partituras (grátis), nos USA, com trabalhos de compositores em domínio público que podem ser ser carregadas e baixadas - para uso privado -, pelos usuários cadastrados do site. Contudo, o responsável pela biblioteca digital, Jim Farrington, tem o cuidado de não disponibilizar obras de autores que aínda estão sendo comercializadas. Conheça a biblioteca digital de música Sibley Music Library.

Para entender o imbróglio em que se envolveu o IMSLP clique aqui e leia o comunicado feito pelo responsável pelo wiki (em inglês ou italiano). Para quem não conheceu o wiki, há no Google uma imagem da página principal armazenada no "cache". Veja-a clicando aqui.

Conheça outros projetos similares que estão em pleno funcionamento: Mutopia, Choral Public Domain Library, Werner Icking Music Archive.

domingo, 28 de outubro de 2007

Ernesto Nazareth: para que conheçamos o que é nosso

Primeira folha do programa Audição de 30 Compositores  Brasileiros (Peças Breves para Piano).Com prazer anuncio a localização de um documento que pelo registro do acontecimento julgo merecedor noticiar. Trata-se do célebre programa de concerto denominado "Audição de 30 Compositores Brasileiros (Peças Breves para Piano)".

As peças anunciadas no programa são de importantes compositores brasileiros cujos nomes mais conhecidos relacionamos: Leopoldo Miguez, Luiz Levy, Francisco Braga, Carlos de Mesquita, Arthur Napoleão, Alberto Nepomuceno, Henrique de Mesquita, Júlio Reis, Villa-Lobos, Glauco Velasquez, Sylvio Deolindo Fróes, Henrique Oswald, Oscar Lorenzo Fernandez (grafado incorretamente como O. Fernadez Lorenzo), Fructuozo L. Vianna.

Instituto Nacional de Música (1922)O programa executado por alguns alunos do professor Luciano Gallet, organizador do evento, cuja duração não excedeu à 2 horas, e ocorreu no Salão do Instituto Nacional de Música, hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no sábado, 16 de Dezembro de 1922, às 16 horas e, conforme destaque na primeira página, enfatiza "Com o concurso de Ernesto Nazareth - para que conheçamos o que é nosso -".

Na segunda parte do programa há a informação de que o autor executou 4 Tangos Brasileiros: Bregeiro, Nenê, Bambino e Turuna. Constam, aínda, do programa, notas sobre as edições das partituras das composições do Rei do Choro, feitas pelas casas editoras Arthur Napoleão, Bevilacqua e Vieira Machado.

Segundo nos conta Vasco Mariz, em sua obra "A Música Clássica Brasileira", o programa causou enorme escândalo pela ousadia iluminada de fazer Ernesto Nazareth interpretar os seus tangos. Ainda conforme relato de Vasco Mariz a obra supracitada, Luciano Gallett, folclorista e compositor, foi um importante organizador de atividades musicais e sobretudo professor. Fundou em 1924 a Sociedade Pró-Arte e, em 1930, a Associação Brasileira de Música, onde atuou até 1937. Dirigiu a revista WECO, da Casa Carlos Wehr. Como professor, realizou notável trabalho à frente do Instituto Nacional de Música (1930-31), lá reformando a estrutura do ensino, cujas linhas gerais persistem até hoje de acordo com a sua orientação. Seus amigos publicaram post-mortem o livro Estudos de folclore, com importante apresentação de Mário de Andrade.

É oportuno reproduzir um trecho da conferência feita por Mário de Andrade, na Sociedade de Cultura Artística, de São Paulo, a respeito de Ernesto Nazareth (Música, Doce Música, Livraria Marins Editora, 1976).

"Esta homenagem prestada a Ernesto Nazaré pela Cultura Artística de São Paulo me parece que é sintomática de tempos mais úteis. Além de ser justíssima. E é um gosto a gente constatar que não se carece aqui de garantia da polícia, como sucedeu no Instituto Nacional de Música em 1922, quando num concerto organizado por Luciano Gallet, aí se executou o Brejeiro, o Nenê, o Bambino e o Turuna. Satisfeito mesmo estou eu, e apesar de atravessado de enfermidades mesquinhas, fiz gosto em alinhavar na fadiga estas frases, pra vir junto dos senhores, trazer o meu aplauso a um artista, que usando a política sutil do talento, se fez escutar por uma nação."

Clique aqui para ver/baixar o programa completo em imagens JPG com resolução de 300 dpi.

Nota: as imagens do programa e da foto são do acervo da Biblioteca Digital da Escola de Música - UFRJ

terça-feira, 23 de outubro de 2007

160 anos de Chiquinha Gonzaga

Foto: Rádio USP FMEm continuidade das comemorações pelos 160 anos nascimento de Chiquinha Gonzaga, a mulher ousada que sacudiu a cidade do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX com sua música, encontramos no YouTube dois vídeos e um programa de radiofônico que julgamos merecedor de atenção. O primeiro vídeo, bem conhecido de todos, é a abertura da minissérie "Chiquinha Gonzaga", da Globo que retrata a Guerra do Paraguai e a vida da popular compositora, com direção de Jayme Monjardim e o tema da abertura e a trilha sonora composta Marcus Viana. O violinista mineiro realizou extensa pesquisa sobre a música brasileira de 1845 a 1935 e sobre a obra de Chiquinha, recriando musicalmente o clima da época. No site oficial do compositor - que também tem uma gravadora a Sonhos & Sons -, pode-se ouvir na seção Áudio e Vídeo, ainda, a composição Bionne (Adeus) de Chiquinha Gonzaga, e que faz parte do CD Marcus Viana e Maria Teresa Madeira - Chiquinha Gonzaga.



O segundo vídeo, é uma apresentação do violeiro Cacai Nunes. Cacai Nunes é de uma geração de músicos que buscam inspiração notradicionalismo para desenvolver uma linguagem contemporânea. No vídeo, Cacai explora as possibilidades do instrumento adicionando nova sonoridade à composição de Chiquinha. Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", tem o título original de "Gaúcho".



Finalmente, o programa da Rádio USP FM que resgata a obra de artistas que tornaram a música popular brasileira admirada em todo o mundo, levado ao ar em 26/04/2007, enquadra-se perfeitamente nas comemorações dos 160 anos de Chiquinha Gonzaga. Algumas das músicas que estão no programa: Abre Alas, Gaúcho (Corta Jaca), Pudesse Esta Paixão, Atraente, Ismênia, Suspiro e Lua branca. Clique aqui para ouvir o excelente programa Olhar Brasileiro, produção e apresentação do professor e pesquisador musical, Omar Jubran.

Foto: Rádio USP FM

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Chiquinha Gonzaga

Chiquinha Gonzaga - foto Biblioteca NacionalHá 160 anos, nascia em 17 de outubro de 1847, no Rio de Janeiro, Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga. Compositora, regente, pianista, é considerada uma das fundadoras da MPB. Em comemoração ao acontecimento, o site da compositora Chiquinha Gonzaga foi atualizado, apresentando um documentário raro sobre a sua história: 500 anos de História do Brasil - Chiquinha Gonzaga, a primeira maestrina brasileira (de Fernando Morais, edição para o site por Wandrei Braga, webeditor do site).

Depoimentos valiosos de grandes nomes da música, teatro, musicólogos, pesquisadores e principalmente da biógrafa de Chiquinha, Edinha Diniz estão disponíveis no site. Esta é a primeira de uma série de atualizações do site que irão complementar as informações sobre Chiquinha, inclusive, em breve: partituras, trechos de gravações, entrevistas, etc. Clique aqui para visitar o site oficial da maestrina carioca.

Foto: Fundação Biblioteca Nacional

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Anacleto Augusto de Medeiros

Anacleto de MedeirosNa seção Acervos e Pesquisa/Música do Instituto Moreira Salles, encontramos recentememte na sua subseção Interlúdio/Colaborações, um precioso artigo intitulado Anacleto: o maestro das bandas e do choro. O artigo foi escrito por André Diniz, conhecido historiador da música brasileira e autor de O Rio musical de Anacleto de Medeiros, um mestre do choro, Almanaque do choro e Almanaque do Samba, ambos publicados pela editora Jorge Zahar.

Formado no Conservatório de Música - primeira escola pública de música do Império, hoje Escola de Música da UFRJ -, ao sair dela em 1896, e já famoso como maestro no Rio de Janeiro, Anacleto de Medeiros fundou a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, que ficou famosa sob sua direção e, em pouco tempo passou a se destacar das demais de sua época. A banda foi a principal agremiação musical do Rio de Janeiro até o início dos anos de 1920. O papel desempenhado pela banda na formação musical brasileira, sob o comando de Anacleto, pode ser ilustrado por várias de passagens históricas como a gravação de inúmeros cilindros e discos 78rpm que foram produzidos na Casa Edison, primeira gravadora brasileira, fundada em 1902 por Fred Figner.

Escola de Belas ArtesCompositores, cantores, arranjadores, maestros e instrumentistas do porte de Radamés Gnattali, Heitor Villa-Lobos, Jacob do Bandolin, Pixinguinha, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Vicente Celestino, Paulo Tapajós, Rogério Duprat, Antonio Augusto nos oferecem uma amostra significativa de sua lavra.

Para conhecer um pouco da memória do mestiço Anacleto Augusto de Medeiros, leia o artigo de André, disponível no IMS, clicando aqui.

Rádio IMS

Ouça na Rádio IMS o programa especial em homenagem a Anacleto de Medeiros, a entrevista de André Diniz e a seleção musical com arranjos e regência de Rogério Duprat.

Músicas do programa

"Iara" (Anacleto de Medeiros)
"Terna Saudade" (Anacleto de Medeiros)
"Cabeça de Porco" (Anacleto de Medeiros)

Fotos: Escola de Música UFRJ e Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro

sábado, 22 de setembro de 2007

Songs & Dances of Latin America – World’s Favorite Nº 16

Songs & Dances of Latin America – World’s Favorite Nº 16Editado por Albert Ganse, este songbook com 160 páginas, publicado por Ashley Publications, Inc., apresenta consagradas músicas do cancioneiro espanhol e da América Látina, tais como: A Media Luz de Emilio Donato, Cielito Lindo de Carlos Fernandez, La Cucaracha (tradicional canção mexicana), La Cumparsita de G. Matos Rodriguez, La Paloma de Sebastian Yaradier, La Violetera de José Padilha. Este álbum também tem muitas outras músicas que fazem parte do repertório pianístico: Tango in D de Albemiz, Spanhis Dance Nº5 de Moritz Moszkowski, Toreador Song from Carmem de Bizet.

Entretanto, neste songbook aparecem duas composições de dois importantes compositores cariocas que nos interessam, em particular, e que são a razão de ser deste artigo.

Dengozo de Ernesto NazarethA primeira peça é Dengozo, um maxixe, cuja autoria é atribuída a Ernesto Nazareth e aparece nas páginas 136 a 139 do songbook. Ela é, ressalvando-se as cifras inseridas na pauta da melodia, uma cópia idêntica de outra partitura publicada, em 1914, por Jerome H. Remick (atual Warner Chappell Music) e faz parte da Coleção de Partituras da Duke University. Entretanto, na partitura do songbook omitiu-se o crédito do arranjo de Ribé Denmark. Outro detalhe na partitura do songbook é o nome do autor grafado como ERENESTO NAZARETH. Outrossim, a partitura do songbook tem Copyrigth 1962 by Asheley Publications Inc., contudo a partitura localizada em Duke University está em domínio público no Brasil, USA, e Canadá, haja vista que sua publicação foi em 1914, e pode ser baixada aqui.

Dados bibliográficos da partitura em Duke University

Título: Dengozo; Maxixe tango; Musica Creole
Criador: Nazareth, Ernesto, 1863-1934
Criador: Danmark, Ribe
Criador: Starmer
Publicador: Jerome H. Remick, 1914
Coleção: Duke University

Esmeralda de Carlos de MesquitaA segunda das composições é a valsa Esmeralda de Carlos de Mesquita (1) e aparece nas páginas 116 e 117 do songbook. Esta partitura, exceto pela inserção de cifras na pauta da melodia, e pela supressão de duas páginas existentes na edição original, é uma cópia fiel da partitura completa (4 páginas), publicada com o título de Chanson de la Esmeralda por Henry Lemoine et Cie., em 1900, em Paris. A versão impressa por Henry Lemoine possui o título de Deux Adaptations Musicales par Carlos de Mesquita e compreende duas peças: Nº1 Les Etoiles (3 páginas) e Nº2 Chanson de la Esmeralda (4 páginas). A partitura contida no songbook tem Copyrigth 1962 by Asheley Publications Inc., mas a partitura localizada em Sibley Music Library está em domínio público nos USA e Canadá, haja vista que foi publicada antes de 1923, e pode ser baixada aqui.

Dados bibliográficos da partitura em Sibley Music Library

Título: Deux Adaptations Musicales; para voz e piano; com poesia em francês
Criador: Mesquita, Carlos de, 1864-1953
Criador: Vacquerie, Auguste, 1819-1895
Criador: Hugo, Victor, 1802-1885
Publicador: Paris, Henry Lemoine et Cie.
Coleção: Music Scores, Sibley Music Library, Univ. of Rochester

Nota (1): Carlos de Mesquita (1864-1953) foi um importante compositor, pianista, organista e regente brasileiro. Com 11 anos já fazia apresentações públicas, ao piano, e com apenas 13 anos foi para Paris onde iniciou sua educação musical no Conservatório de Paris, onde estudou harmonia com Émile Durand, contraponto, fuga e composição na classe de Jules Massenet, piano com Antoine-François Marmontel e órgão com César Franck, substituindo-o, inclusive, várias vezes como organista auxiliar na Igreja de Santa Clotilde, em Paris. Em 1882, no Conservatório de Música (hoje Escola de Música da UFRJ) do Rio de Janeiro, ocupou a cadeira de harmonia e contraponto. Francisco Braga foi um de seus alunos. Em 1887, com Leopoldo Miguez, criou a Sociedade de Concertos Sinfônicos. Apresentou no Rio de Janeiro, em primeira audição, obras de Alberto Nepomuceno, Leopoldo Miguez e Francisco Braga. Também revelou para o público carioca obras dos mestres da nova escola francesa: Jules Massenet, Léo Delibes, Saint-Saëns e outros. Sobre este importante compositor brasileiro e sua irmã, a pianista Amélia de Mesquita. falaremos mais detalhadamente em um outro post.

sábado, 15 de setembro de 2007

A Biblioteca Digital da Escola de Música - UFRJ

Escola de Música - UFRJ - Fonte: Jeff Belmonte - http://www.flickr.com/photos/jeffbelmonte/107171296/
O Conselho Regional de Biblioteconomia - 7ª Região, noticiou hoje o lançamento da Biblioteca Digital da Escola de Música da UFRJ. A Biblioteca Digital será inaugurada em evento que será realizado no dia 27 próximo, às 18:30h, na sede da Escola de Música da UFRJ. Durante o acontecimentoo será feita uma demonstração do acervo digitalizado e os recursos disponíveis para os pesquisadores. A partir de então todos os manuscritos e documentos digitalizados poderão ser consultados, reproduzidos e impressos pela Internet. Esse importante acervo musical da América Latina, é constituido de obras raras do século XV ao XVIII, manuscritos autógrafos de alguns dos principais compositores brasileiros, documentos históricos, periódicos e iconografia.

Um dos setores mais e ricos do acervo pertencente a Biblioteca Alberto Nepomuceno é o de manuscritos musicais. Abrange obras desde o século XVIII até o XXI. O grande destaque é, sem dúvida, a coleção de obras do padre José Maurício Nunes Garcia, que se constitui na maior do país. Outros compositores têm presença marcante no acervo como Francisco Manuel da Silva, Carlos Gomes, Leopoldo Miguez, Henrique Oswald, Alberto Nepomuceno, Francisco Braga e Glauco Velásquez, constituindo um verdadeiro painel da história da música no Brasil. Autores estrangeiros também se fazem presentes, especialmente portugueses e italianos como José Joaquim dos Santos , Marcos Portugal e Saverio Mercadante, este último presente com um manuscrito autógrafo dedicado ao Imperador D. Pedro II. Outra coleção de destaque é a dos teatros do Rio de Janeiro, que incluem cópias manuscritas das óperas que foram apresentadas na cidade durante o século XIX.

André Cardoso, Diretor da Escola de Música da UFRJ, anunciou que a digitalização de 3.500 páginas do acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno, disponíbilizará a consulta, através de moderna tecnologia digital para pesquisadores do mundo inteiro através da Internet. Foram selecionados vários manuscritos autógrafos de compositores brasileiros supracitados além de Alexandre Levy, Henrique Alves de Mesquita, Francisco Valle, Villa-Lobos, a Coleção Guilherme de Mello completa - que abrange modinhas e música de salão dos séculos XVIII e XIX -, documentos autógrafos (cartas e bilhetes de Brahms, Liszt, Wagner, Rossini e vários brasileiros, entre eles Pixinguinha e Donga), e mais os oito primeiros volumes da Revista Brasileira de Música, iconografia e obras raras (tratados dos séculos XVI e XVIII).

Para se ter uma idéia de como funcionará essa biblioteca digital, basta visitar a seção de partituras da Biblioteca Nacional e selecionar um dos gêneros musicais disponíveis: dobrados, galopes, gavotas, habaneras, jongos, jotas, mazurcas, minuetos, polkas, polonesas, quadrilhas, sambas, schottish, tangos, tarantelas e valsas. A tecnologia utilizada nessaa seção de partituras da Biblioteca Nacional é a mesma que será utilizada na Biblioteca Digital da Escola de Música da UFRJ.

Para visualizar as partituras e pesquisar o acervo da Biblioteca Nacional é preciso instalar o plug-in DocPro que pode ser baixado grátis no site da FBN ou no site do desenvolvedor da aplicação. O DocPro permite a visualização de biblotecas digitais online e permite a pesquisa pelo texto nas imagens dos documentos. Esse plug-in utiliza a tecnologia cliente/servidor chamada metaframe que foi desenvolvida pela Citrix.

Fontes da matéria: 1. FBN 2. DocPro 3. Citrix 4. Conselho Regional de Biblioteconomia da 7ª Região

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

João de Souza Lima (1898-1982)

João de Souza Lima (1898-1982)- Foto: Raul’s PageRecentemente a pianista Emma Luiza de Souza Lima fez um recital no Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas com um programa constituído de importantes obras do repertório pianístico. Emma formou-se em piano e violão pelo Instituto Musical de São Paulo, e se aperfeiçoou nos Estados Unidos, e com o maestro João de Souza Lima, seu parceiro de duo pianístico, de quem era filha (enteada). A pianista estudou com os professores Mildred Rivetti, Vittorio Mariani, Clarisse Leite (piano) e Manoel São Marcos (violão), e apresentou-se pela primeira vez com a Orquestra
Sinfônica Municipal de São Paulo
. Entre outras atividades artísticas, a pianista fundou a EMMA – Escola de Música, Movimento e Arte, é membro da Japan Piano Duets Association e fez vários arranjos e transcrições de diversos compositores consagrados. È autora do livro O piano em suas mãos, um método que leva leigos a executarem, em pouco tempo, suas músicas preferidas – e, em 1994, gravou em Portugal o CD Serenidade. Emma mantém carreira artística solo, em duos e outras formações no Brasil e no exterior, além de dar aulas e divulgar a obra pianística de Souza Lima, de quem guarda o acervo.

João de Souza Lima (1) nasceu na cidade de São Paulo, aos 21 de Março de 1898, iniciando seus estudos musicais aos quatro anos de idade. Aos 16 anos executa vários concertos em São Paulo e no Rio de Janeiro e obtém dois prêmios em concursos de Composição: de música para orquestra e de música para piano. Durante os onze anos que residiu em Paris, foi aluno de I. Philipp, passando, depois, a aperfeiçoar-se com Marguerite Long. Recebeu aulas de Busoni. Estudou ainda Música de Câmara com Camille Chevillard e Paul Paray; História da Música e Composição com Eugéne Gigout; Regência com C. Chevillard. Apresentou-se em recitais nas salas de concertos de quase todas as capitais européias, no Norte da África (Tunísia, Argélia, Marrocos), Argentina, Uruguai e o Brasil, desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. Sua vida é repleta de grandes realizações, onde vale ressaltar que organizou os festivais comemorativos da Semana da Arte Moderna de 1922, além da realização do Grande Prêmio destinado à composição de obra sinfônica comemorativa do Sesquicentenário de São Paulo. O vasto número de obras compostas por Souza Lima abrange: música sinfônica, bailados, ópera, música para piano solo, piano e orquestra, dois pianos, hinos, música para côro, de câmara e inúmeras revisões. Entre elas destacam-se, e com justiça, os Poemas "Das Américas" (1945) e de "São Paulo" (1978), nos quais o autor imprimiu conscientemente a legitimidade de uma autonomia artístico-musical brasileira, resultado das pesquisas que realizou até às raízes de nossa formação histórica, destacando as constâncias rítmicas e melódicas e a ambiência emocional da sensibilidade brasileira.

A Rádio IMS (2) disponibilizou em seu site as músicas do recital da pianista. Destacamos as Valsas de Esquina Nº 5 e Nº 1 de Francisco Mignone, o Prelúdio Nº 9 (para mão esquerda) de Souza Lima, o Choro Torturado de Guarnieri e a célebre Valsa da Dor de Villa-Lobos.

Programa do Recital

1. Valsa de esquina nº 5 - Emma Souza-Lima (Francisco Mignone)
2. Prelúdio nº 1 - Emma Souza-Lima (Souza Lima)
3. Valsa etérea - Emma Souza-Lima (Clarisse Leite)
4. Valsa de esquina nº 1 - Emma Souza-Lima (Francisco Mignone)
5. Serenidade - Emma Souza-Lima (Souza Lima)
6. Choro torturado - Emma Souza-Lima (Camargo Guarnieri)
7. Prelúdio nº 9 (para mão esquerda) - Emma Souza-Lima (Souza Lima)
8. 2ª valsa brasileira - Emma Souza-Lima (Souza Lima)
9. Valsa da dor - Emma Souza-Lima (Heitor Villa-Lobos)
10. Fantasia C menor - Emma Souza-Lima (Johann Sebastian Bach)
11. Prelúdio e fuga F menor - Emma Souza-Lima (Johann Sebastian Bach)
12. Désirs de jeune-fille - Emma Souza-Lima (Franz Liszt)
13. Valsa Ab - Emma Souza-Lima (Frédéric Chopin)
14. Estudo op. 25, nº 2 - Emma Souza-Lima (Frédéric Chopin)
15. Estudo op. 10, nº 12 - Emma Souza-Lima (Frédéric Chopin)
16. Primeira balada (*) - Emma Souza-Lima (Frédéric Chopin)

Nota: inclusive La Plus que Lente de Claude Debussy, conforme atentamente observou nosso amigo pianista Alexandre Dias.

Para ouvir as músicas listadas acima clique aqui

Notas:

(1) Biografia reproduzida do Conservatório Souza Lima
(2) Músicas: Instituto Moreira Salles
(3) Foto: Raul’s Page

sábado, 25 de agosto de 2007

Uruá Trio

A cantora e atriz Luciana Oliveira com os flautistas do Uruá Trio
Hoje de tarde eu liguei o televisor na TV Senado e ainda deu para assistir o programa Conversa de Músico: Corta-Jaca (Gonzaga), Rosa (Pixinguinha), Tico Tico no Fubá (Abreu), Última Inspiração - com solo de acordeon (Peter Pan), Falando de Amor (Jobim) e Escorregando (Nazareth).

Ficarei atento para assistir o programa novamente, amanhã, domingo, 26/08/2007. Para quem perdeu o programa de sábado - os horários foram: 5h e 14:30h -, aí vão os
horários do programa no domingo: 5h e 19:45h.

O Uruá Trio é formado pelos professores e músicos de Brasília, Moema Craveiro (piano digital, acordeão), Sidnei Maia e José Evangelista Jr. (flautas, Clarinete, Flautin).

A proposta do trio é realizar um repertório eclético, do erudito ao popular, abrangendo diversos períodos da história da música. Na foto a cantora e atriz Luciana Oliveira com os flautista do Uruá Trio. Fique ligado e assista Conversa de Músico com o Uruá Trio.

Foto: José Silva do Guia da Semana

Polonaise de Ernesto Nazareth

Alexandre Dias no programa
Alexandre Dias é um jovem brasiliense, pianista virtuose e concertista, que realiza um minucioso trabalho de pesquisa sobre Ernesto Nazareth. Atualmente ele colabora com o Sovaco de Cobra em uma série investigativa musical a respeito do compositor apresentando músicas raras da sua lavra.
Em 2004 Alexandre foi entrevistado no programa Conversa de Músico, da TV Senado, haja vista que ele é um dos maiores especialistas do país sobre a obra de Ernesto Nazareth e detentor do maior acervo de registros fonográficos com interpretações de peças do compositor.

No programa Conversa de Música Alexandre falou de seu entusiasmo com a música do compositor carioca, o choro e a cultura brasileira, e executou as peças Travesso e Apanhei-te Cavaquinho, além de duas peças inéditas: Catrapuz e Polonaise. Encerrando o programa, Alexandre interpretou Maple Leaf Rag, ragtime do compositor norte-americano Scott Joplin.

Francisco Mignone conta em seu depoimento sobre a obra de Ernesto Nazareth que o compositor lhe disse que Chopin era o seu autor favorito e que executava quase todas as Baladas do compositor polonês.

Clique aqui para assitir o vídeo com Alexandre Dias interpretando a peça Polonaise de autoria de Ernesto Nazareth.

domingo, 19 de agosto de 2007

Portal Domínio Público

Portal Domínio Público
Esse portal brasileiro é uma biblioteca virtual onde encontramos centenas partituras e alguns arquivos de áudio, já em domínio público ou que têm a sua divulgação devidamente autorizadas segundo informações do site.

As partituras que estão no portal são provenientes de acervos já conhecidos dos músicos que navegam pela internet. Curiosamente não encontramos nenhuma partitura de compositores brasileiros nos acervos.

Para acessar as partituras use o formulário Pesquisa Básica: em Tipo de Mídia selecione texto; em Categoria selecione Artes; clique no botão Pesquisar. Todas as partituras estão no formato PDF.

Na seção Música Erudita Brasileira encontramos oito gravações de obras de compositores brasileiros feitas pela Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense.

Carlos Gomes - Alvorada
Alexandre Levy - Werther
Alberto Nepomuceno - Aurora Luminosa
Francisco Braga - A Paz
Glauco Velásquez - Alma Minha Gentil
Luciano Gallet - Batuque, Tango
Leopoldo Miguez - Ave Libertas

Na seção Hinos Brasileiros encontramos oito gravações de quatro hinos cívicos de autoria de consagrados compositores brasileiros e de Dom Pedro I.

Francisco Braga - Hino à Bandeira Nacional
Leopoldo Miguez - Hino à Proclamação da República
Dom Pedro I - Hino da Independência
Francisco Manuel da Silva - Hino Nacional Brasileiro

Todos as gravações estão no formato MP3 com qualidade 192 kbps. Clique aqui para visitar o Portal Domínio Público.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Chico Bororó

Francisco Mignone - fonte: FBN
Com apenas 13 anos de idade Francisco Mignone ensaiava suas primeiras composições, tocava em cinemas mudos, em pequenas orquestras populares e em serenatas. Nessa época inicial de sua carreira musical, a atividade de compositor popular não era bem-vista, de modo que para proteger-se do preconceito então existente, Mignone ocultou-se sob o pseudônimo de Chico Bororó, chegando a publicar várias obras de cunho popular com esse nome artístico.

Encontramos no Instituto Moreira Sales, no acervo José Ramos Tinhorão, duas composições instrumentais assinadas por Chico Bororó. São gravações em discos 78 rpm (álbum 13160), lançadas em 1930 pela gravadora Parlophon, ambas interpretadas pelo flautista italiano Alfério Mignone, com acompanhamento da Orquestra Paulistana.

Alfério Mignone, pai do compositor, foi um flautista renomado e, Mignone, o filho - que tinha um conhecimento íntimo da flauta -, com ele estudou e se aprimorou nesse instrumento do naipe das madeiras.

Reserve um tempo para escutar as gravações referenciadas: a primeira intitulada Céu do Rio, uma valsa; a outra, Assim Dança Nhá Cotinha, uma mazurca; clique aqui para baixar os arquivos de áudio.

Fonte das gravações: Instituto Moreira Sales
Fonte da foto: Biblioteca Nacional

terça-feira, 31 de julho de 2007

Sequenciador de Áudio/MIDI e Editor de Partituras

RoseGarden - Sequenciador de Áudio/MIDI e Editor de Partituras (LINUX)
RoseGarden é um sequenciador de áudio e MIDI, e também um editor de partituras com funções completas de composição e gravação. RoseGardem possui uma interface agradável e profissional. Usuários experientes na utilização de sequenciadores de áudio não encontrarão dificuldade em usar esse programa que atende a demanda por um software de notação musical voltado para o sistema operacional Linux.

Rosegarden roda sobre uma infra-estrutura ALSA (Advanced LINUX Sound Architeture), um servidor que reconhece praticamente todas as placas de som. Para a gravação de áudio, RoseGarden usa o sistema Jack (Jack Audio Conection Kit), um servidor de baixa latência.
Rosegarden pode processar plug-ins LADSPA (Linux Audio Developers Simple Plugin API).
Alguns plugins LADSPA são equivalentes aos plugins VST. RoseGarden usa plug-ins DSSI (Disposable Soft Synth Interface).

Leia mais sobre esse programa de código aberto no site Viva o Linux.

domingo, 1 de julho de 2007

Raras de Ernesto Nazareth

Alexandre Dias, pianista
O pianista Alexandre Dias, numa série publicada semanalmente por Zé Carlos, proprietário do blog Sovaco de Cobra, idealizador da série e criador dos textos, aborda diversas peças de Ernesto Nazareth que não estão inclusas no repertório mais divulgado do compositor carioca. Muitas delas ainda não foram registradas em gravações comerciais e algumas nem mesmo tiveram a partitura publicada por editoras. A série oferece aos visitantes do blog o áudio integral das peças produzidas e interpretadas por Alexandre. O joven brasiliense também é um competente pesquisador da obra de Nazareth e mantém o site O Rei do Choro e é o criador e moderador do grupo de discussão O Malho, dedicado a homenagear o choro, o tango brasileiro, o lundu, a polca, o samba, enfim, a música brasileira do fim do Sec. XIX e início do Sec. XX.

As músicas apresentadas na série "Raras de Ernesto Nazareth" até esta data são:

  1. Proeminente (tango brasileiro)
  2. Phantastica (valsa brilhante)
  3. Succolento (samba brasileiro)
  4. O que há? (tango brasileiro)
  5. Cruz, perigo!! (polca)
  6. Cuéra (polca-tango)
  7. Atlântico (tango)
  8. Correcta (polca)
  9. Podia ser peior (tango)
  10. Orminda (valsa)
  11. Jacaré (tango carnavalesco)
  12. Victoria (marcha)
  13. If I am not mistaken (fox-trot)
  14. Chave de ouro (tango)
  15. Divina (valsa)
Os arquivos de áudio com o excelente trabalho do brilhante pianista podem ser baixados aqui.

O Enigma do Homem Célebre – Ambição e Vocação de Ernesto Nazareth

O Enigma do Homem Célebre – Ambição e  Vocação de Ernesto NazarethCacá Machado lançou seu livro O Enigma do Homem Célebre – Ambição e Vocação de Ernesto Nazareth, no Instituto Moreira Salles, em 30/06/2007. O livro (originalmente uma tese de doutorado da USP) apresenta uma análise aprofundada de elementos musicológicos, históricos e literários que envolvem a obra do compositor e pianista fluminense Ernesto Nazareth.

A obra traz imagens inéditas do compositor e sua família e do Rio de Janeiro, além de um CD com gravação das peças “Cruz, perigo!”, “Rayon d’Or”, “Batuque” e “Floraux” interpretadas pela pianista Sonia Rubinsky.

Leia aqui o primeiro capítulo da tese.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Bach / Mozart / Seixas

Johann Sebastian Bach - Imagem NYPL Digital LibraryJohann Sebastian Bach

Score.ePartitura continua com sua tradição de excelência brindando os entusiastas por música, com vibrantes e excitantes trabalhos para teclado, dos mais talentosos compositores dos Séculos XVIII e XIX. Criou virtuais performances usando MIDI e sounfonts de órgãos, pianos e cravos. Confira a relação das músicas:

Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 645 (2:10)
Meine Seele erhebt den Herren, BWV 648 (1:15)
Gottes Sohn ist kommen, BWV 600 (1:27)
Duetto I, BWV 802 (2:49)
Duetto II, BWV 803 (3:12)
Duetto IV, BWV 805 (4:14)
Duetto III, BWV 804 (2:29)
Sonata BWV525 Mvt. III Allegro (4:45)
Prelude in D Minor BWV539 (3:50)

Wolfgang Amadeus Mozart - Imagem NYPL Digital Library Wolfgang Amadeus Mozart

Serenade II, Allegro (2:59) - esta peça faz parte dos cinco Divertimentos que Mozart tocava em casa com seus amigos.

Esses divertimentos foram transcritos para piano por um anônimo e ficaram conhecidos como as Seis Sonatinas Vienenses (Six Viennese Sonatinas).

As Seis Sonatinas (versão completa) podem ser baixadas, no formato MIDI, no site BV Música.

Foram utilizados soundfonts na emulação dos clarinetes usados para a execução do Allegro dessa serenata.



Carlos Seixas - Imagem Rádio USP-BRCarlos Seixas

Compositor português contemporâneo de Domenico Scarlatti que escreveu muitas peças para orgão e cravo.

Abaixo, duas tocatas (inéditas) extraídas do manuscrito da coleção de 12 Tocattas per Cembalo encontradas na Biblioteca Nacional de Portugal.

Tocatta Nº4 (4:30)
Tocatta Nº2 (2:41)

Reserve um tempo para ouvir estas brilhantes peças barrocas na sonoridade de um cravo eletrônico. Score.ePartitura agradece a BN de Portugal pela permissão de uso da edição facsimilada do manuscrito pertencente ao seu acervo.

Clique aqui para baixar/ouvir os arquivos MP3 (192 kbps).

terça-feira, 5 de junho de 2007

Brício de Abreu: Artigo sobre Ernesto Nazareth

Foto do acervo de Brício de AbreuCENTENÁRIO DE ERNESTO NAZARETH

O Brasil inteiro comemora o centenário do nascimento de Ernesto Nazareth. Conheci-o em 1924. O nosso grupo de boêmios e jornalistas, semanalmente, reunia-se em casa do Dr. Bandeira de Gouveia, na Rua Buarque de Macedo. Eram reuniões de poesia, canto e ternura. Nascimento Filho (barítono), Lulu Vidal (o Barão), Thedim Lobo, Gomes Leite (poeta que morreu moço por atropelamento), Carlos Frederico da Silva, Agenor Chaves, às vezes Moacyr de Almeida (meu companheiro em “A Tribuna”), Afonso Lopes de Almeida, Álvaro Guanabara, Cláudio Manuel e tantos outros. Uma noite. Mme. Bandeira de Gouveia apresentou-nos Ernesto Nazareth. Cabelos grisalhos já penteados da direita para a esquerda, tal como vemos na foto de 1926 que publicamos, gordo, de estatura mediana. Foi uma noite memorável, em que Nazareth tocou várias de suas músicas, só parando para ceder lugar a um brasileiro magro, esquálido, de nome alemão, que morava lá em Santa Teresa, e que era louco por música popular. Taí a única vêz que tive contacto com o mestre que falava calmo e simples, e que era de uma modéstia que impressionava. Lembro-me de que Agenor Chaves, num grupo que formamos em redor do mestre, perguntou-lhe como iniciara a sua vida de compositor. Nazareth sorriu e timidamente contestou:

Detesto falar de mim. Mas, se quer saber alguma coisa a meu respeito e o que penso, aqui tem uma entrevista que me arrancaram à força, na semana passada, em São Paulo, para a “Folha da Noite”.

E, tirando do bolso uma folha de jornal, dobrado, deu-a a Agenor Chaves. Nos meus apontamentos consta: ...”Como estamos a 28 de Setembro de 1924, o artigo deve ter sido publicado na segunda semana deste mês. Ver em São Paulo”. Nunca pude fazê-lo, mas quando for à capital paulista, procurarei e ainda hei de ver o que diz essa entrevista, Em todo caso, aqui fica a indicação aos rebuscadores.

A impressão que nos ficou daquela noite foi imensa e dura ainda até hoje. Nazareth não se parecia com nenhum outro pianista quando tocava E, creio que freqüentávamos todos os que eram conhecidos e populares naquela época. Bevilacqua, em artigo (7-8-62), diz ter ele “molde muito típico, característico, com forma fixando um jeito de fatura curiosa pianística, cheia de graça, de vivacidade, com sabor nacional”. Em um artigo publicado em 1924 (julho), na “Ilustração Brasileira”, a pedido de Álvaro Moreyra, depois transformado em conferência e em capítulo do seu livro “Música, Doce Música” (S. Paulo, 1934), Mário de Andrade afirma que ...”no entanto , se é certo que a obra de Ernesto Nazareth tem uma boniteza, uma dinâmica fora do comum, e ela apareceu e se desenvolveu no momento oportuno, não compreendo bem com é que se tornou popularmente célebre. Se foi oportuno não tem nada de oportunistas nele, e é sabido que nem mesmo a genialidade basta para um indivíduo se popularizar”, para terminar, mais adiante, dizendo ainda sobre sua obra...”é mais artística do que a gente imaginava pelo destino que teve, e deveria estar sempre no repertório dos nossos recitalistas”. Marisa Lira também afirma que ...”dele não se pode dizer apenas que foi um notável compositor ou um grande pianista. É que a sua obra musical de tão bizarra técnica, talvez para dificultar a execução, fê-lo afastar-se do popular e alcançar um popularesco, que em certos casos quase atinge o erudito”. O que é certo é que Ernesto Nazareth foi um dos maiores compositores de seu tempo e sua popularidade corre ainda por todo o Brasil. Exerceu uma influência enorme em toda a sua geração, que lhe tributava uma profunda admiração.

ERNESTO JÚLIO DE NAZARETH nasceu no Rio, no Morro do Nheco (junto ao atual Morro do Pinto), a 20 de março de 1863. Eram seus pais Vasco Lourenço da Silva Nazareth, despachante aduaneiro, e D. Carolina da Cunha Nazareth. Sua primeira professora foi sua própria mãe, mas quem o guiou realmente para o caminho da música (que seu pai era totalmente contra) foi Eduardo Madeira, modesto professor e empregado do Banco do Brasil, como também foi seu professor Lucien Lamberto. Mas essas influências foram rápidas e transitórias. Nazareth foi, realmente, um autodidata. Aos 14 anos, aluno ainda do Colégio Belmonte, na praça Tiradentes, escreveu sua primeira música, intitulada “Você bem sabe”, polca (1877). Foi o próprio Madeira que o levou ao editor Arthur Napoleão, que a publicou, Desde então, pode-se dizer, teve início a sua vida profissional como músico e compositor.

Foto do acervo de Brício de AbreuAos 23 anos, a 14 de julho de 1886, casou-se com D. Theodora Amália de Meirelles, indo morar em São Cristóvão, na Rua São Januário. Nazareth ficou célebre por haver criado o “TANGO BRASILEIRO” (que nada tem a ver com o tango argentino), cujo primeiro “Cruz... Perigo!”, foi composto em outubro de 1879 e publicado pela editora Viúva Canongia. Em 1893, publicou o célebre “Brejeiro”, que vendeu por uma miséria à Casa Vieira Machado, e que foi o maior sucesso de seu tempo tendo recebido letra de Catulo da Paixão Cearense que o rebatizou com o nome de “Sertanejo Enamorado”. Em 1898, realizou o seu primeiro concerto público no salão da Intendência da Guerra, promovido pelo Clube de S. Cristóvão. Em 1907, foi nomeado escriturário do Tesouro, cargo que ocupou por muito pouco tempo, passando a dedicar-se exclusivamente ao ensino particular de piano e a tocar em casas de músicas e em festas particulares, inclusive em cinemas mais tarde, como vimos no Cinema Odeon (1920), na orquestra dirigida pelo italiano Andreozzi (que mais tarde, 1933, fomos encontrar tocando no “Alster Pavillon”, de Hamburgo). Em 1926, Ernesto Nazareth desgostou-se com um artigo publicado pelo crítico Rodrigues Barbosa (foi o próprio crítico quem nos relatou, consta de nossas notas), e aceitou o insistente convite que lhe faziam amigos para ir para São Paulo, onde deu concertos e chegou a ser popularíssimo, também. Voltou para o Rio em 1927. Em 1929 perdeu a esposa. Em 1932 realizou uma “tournée” ao Sul do País.

Foto do acervo de Brício de Abreu“Devido a uma queda, dada em menino, conta-nos Andrade Muricy em recente biografia, publicada no Jornal do Comércio (17-3), “sempre teve incômodos nas vias auditivas. Nos seus últimos anos, declarou-se a surdez que chegou a tornar-se grave”. Por fim, uma pertubação cerebral forçou sua internação, primeiro no Instituto Neuro-Psiquiátrico, na Praia Vermelha, e depois na Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá. No dia 1º de fevereiro de 1934, desapareceu no meio da grande mata que cercava o nosocômio, sendo encontrado no dia 4, morto dentro de um reservatório de água, junto a uma cascata. Morreu aos 71 anos e de seu casamento teve 4 filho: Eulina e Diniz, ainda vivos, e Ernesto e Maria de Lourdes, já falecidos. A consagração pública chegou 29 anos depois da morte do compositor carioca.


Fonte: matéria escrita pelo pesquisador Brício de Abreu e publicada em 1963 provavelmente na revista O Cruzeiro. Fotos do seu arquivo particular.

domingo, 27 de maio de 2007

Alexandre G. de Almeida (Xandico)

Alexandre G. de Almeida (1860-1920), também conhecido como Xandico, célebre compositor e pianista brasileiro. Em um artigo publicado na Revista Musical Brasileira N. 5, no capítulo "O piano e os pianeiros", cujo trecho é reproduzido abaixo, o Prof. Aloisio de Alencar Pinto faz referência ao célebre pianista Xandico, apelido do compositor Alexandre G. de Almeida:

"Brasílio Itiberê, na sua famosa conferência Ernesto Nazareth na Música Brasileira, descreve com uma verve extraordinária o que era a figurinha desses músicos populares, e esclarece:

Esse pianeiro carioca teve um relevo e uma função social muito importante nesse velho e ditoso 1900. Ele era o pivot de todas as cerimônias sociais: bailes, batizados, aniversários casamentos. Esse pianeiro, dengoso e macio, por quem as meninas se apaixonavam e que tocava a Dalila, é uma tradição que desapareceu. A técnica brutal de percussão do piano de jazz deturpou e matou o último pianeiro carioca." E conclui: "Só quem ouviu tocar um Aurélio Cavalcanti, o Porfírio da Alfândega, o Chirol, o Garcia Cristo, ou o Xandico, — pode ter uma idéia bem nítida de que foram esses beneméritos e analisar a importância de sua função social."

Partituras disponíveis

01. Chile - Brazil
02. Carinhosa
03. Pretenciosa

Esther Pedreira de Cerqueira

Canções infantis tradicionais da Bahia recolhidas pela folclorista Esther Pedreira de Cerqueira. As partituras disponíveis em Luna Digital Musici foram arranjadas para voz (ou flauta) e piano.

01. Ciranda Cirandinha
02. Caranguejo não é Peixe
03. Canção de Ninar Nº 1
04. Canção de Ninar Nº 4
05. No Caminho da Roça

José Garcia de Christo

José Garcia de Christo (1867-1919), pianista e compositor que atuou nos salões cariocas como pianeiro. Compôs valsas, polcas e schottischs publicadas por diversas casas editoras cariocas. Sua obra parece que foi editada quase que exclusivamente para piano-solo, ou piano e canto. Em um artigo publicado na Revista Musical Brasileira N. 5, no capítulo "O piano e os pianeiros", de autoria do Prof. Aloisio de Alencar Pinto, cujo trecho é reproduzido abaixo, há uma referência ao compositor em apreço:

"Brasílio Itiberê, na sua famosa conferência Ernesto Nazareth na Música Brasileira, descreve com uma verve extraordinária o que era a figurinha desses músicos populares, e esclarece: "Esse pianeiro carioca teve um relevo e uma função social muito importante nesse velho e ditoso 1900. Ele era o pivot de todas as cerimônias sociais: bailes, batizados, aniversários e casamentos. Esse pianeiro, dengoso e macio, por quem as meninas se apaixonavam e que tocava a Dalila, é uma tradição que desapareceu. A técnica brutal de percussão do piano de jazz deturpou e matou o último pianeiro carioca." E conclui: "Só quem ouviu tocar um Aurélio Cavalcanti, o Porfírio da Alfândega, o Chirol, o Garcia Cristo, ou o Xandico, — pode ter uma idéia bem nítida de que foram esses beneméritos e analisar a importância de sua função social."

A polca denominada Girondinos, de autoria de Christo, faz parte do bailado Sarau de Sinhá, em um arranjo para piano a 4 mãos. O Sarau de Sinha é uma suite, um conjunto de danças arranjadas para 2 pianos pelo Prof. Aloysio de Alencar Pinto. É um pequeno balé, um balé em uma parte, uma espécie de divertimento coreográfico sobre cenas de uma festa no Rio de Janeiro antigo. Nesse balé, estão algumas danças do séc. XIX, danças européias aclimatadas no Brasil, como a Polca, a Schottisch, a Contra-dança, a Valsa. Esta polca foi dedicada ao clube carnavalesco Girondinos. Sobre essa agremiação esclarece o historiador Nelsinho Crecibeni, autor do livro "Convocação geral: a folia está nas ruas":

"Nessa época não se usava música nacional, utilizava-se a polca, a quadrilha, os xotes, músicas de origem européia. Isso nos salões, porque praticamente não havia manifestações na rua. Os grupos que saíam à rua iam na intenção de, logo na seqüência, dirigirem-se a um salão, onde aconteciam as grandes manifestações carnavalescas na cidade", explicou Crecibeni, lembrando de grupos da época, como Tenentes do Diabo, Tenentes de Plutão, Fenianos e Argonautas. Eram sociedades que existiam em São Paulo e, simultaneamente, no Rio de Janeiro", acrescentou. Já o Girondinos reunia, na mesma época, a elite intelectual paulistana. Formado por jornalistas, estudantes e pessoas ligadas à política, o grupo tirou seu nome de um café famoso na época, que ficava na junção da Praça da Sé com a rua XV de Novembro, onde se localizavam as redações dos grandes jornais e ocorriam as maiores manifestações políticas".

Algumas edições em notação moderna estão nos endereços abaixo:

01.Girondinos (polca)
02.Idyllios D'Amor (valsa)
03.Pense á Moi (valsa)
04.Sorrisos de Anjo (valsa)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Scott Joplin - O Rei do Ragtime

Scott Joplin (MPI/Getty Images)
O Compositor

Scott Joplin, compositor e pianista americano. Considerado um dos três mais importantes compositores de ragtime ao lado de James Scott e Joseph Lamb.

Pleasant Moments: Ragtime Waltz

Neste post estão disponíveis duas gravações para piano de rolo. Um gravação é da Connorized (1), de acordo com a informação encontrada na Wikipedia (2). A outra gravação não sabemos a quem atribuir, haja vista que no site (3) onde a encontramos não foi informado a fonte. A gravação de Connorized, foi feita pelo próprio Scott Joplin que em abril, maio e junho de 1916, gravou sete rolos. O sexto rolo, Pleasant Moments, foi anunciado no catálogo da Connorized, mas, nenhuma cópia foi encontrada nos últimos 90 anos. Só agora localizou-se uma cópia (4). Comparamos as duas gravações e achamos que a versão atribuída a Connorized é superior a encontrada em Classici Stranieri.

Pleasant Moments: Ragtime Waltz (Connorized) -> mp3 - partitura (fonte: Classic Ragtime Piano)

Maple Leaf Rag

Localizamo no site da NPR (5) duas gravações para piano de rolo (uma editada e outra não editada). Segundo comentário no site, esta é uma gravação que o próprio compositor fez para a Connorized, em abril de 1916. Ainda segundo a NPR, a performance de Joplin é fraca e ele foi melhor compositor do que pianista.

Também encontramos uma gravação da compositora e pianista inglesa Vera Guilaroff que viveu em Montreal. A performance é bastante ligeira (6).

Há no site da Biblioteca do Congresso Americano (7), um compact disc (CD)intitulado "The Robert E. Lee" com uma gravação de Maple Leaf Rag, com Bob Milne ao piano.

Baixe Maple Leaf Rag (Piano Roll) -> mp3 - partitura

Baixe Maple Leaf Rag (Vera Guilaroff) -> mp3

The Entertainer

Baixe a partitura de The Entertainer (Johns Hopkins University Levy Collection). Também está disponível na Biblioteca do Congresso uma gravação (mp3) de The Entertainer (8).

Scott Joplin's New Rag

Encontramos um gravação desta música feita por Jazz Classics e que foi transcrita a partir de uma gravação para piano de rolo (9).

Baixe Scott Joplin's New Rag -> mp3 - partitura

Solace: A Mexican Serenade

Há en NPR um gravação de Joshua Rifkin, um pianista, musicologo e expert em música barroca, feita em 1972 para a gravadora Nonesuch (10).

Baixe a partitura de Solace: A Mexican Serenade (fonte: Classic Ragtime Piano)

20 Original Piano Rolls

Esta é a lista com 20 gravações para piano de rolo, segundo a informação contida no site Classici Stranieri, mas que desconhecemos a autoria dos rolos. Elas podem ser modificadas e distribuidas conforme licença Creative Commons (11):

The Entertainer
Pine Apple Rag
Reflection Rag
The Ragtime Dance
Sugar Cane
Combination March
Elite Syncopations
A Real Slow Rag
Paragon Rag
Scott Joplin's New Rag
Solace
Paecherine Rag
Rose Leaf Rag
Swipesy
The Sycamore
Stoptime Rag
The Silver Rag
Original Rags
Pleasant Moments
Scott Joplin's Best Rag

Baixe Original Piano Rolls (20 gravações) -> mp3

Links

No blog MetroBase há um post com o disco "Scott Joplin's Greatest Hits" do pianista Richard Zimmerman (Legacy International, 1994). Confira aqui.

Notas:

(1) Connorized Music Co.
(2) Wikipedia
(3) Classici Stranieri
(4) Pianola
(5) NPR
(6) Joplin anotava nas partituras recomendações a respeito da velocidade de execução de suas composições, com expressões tais como: "Do not play this piece fast. Composer.", "It is never right to play Ragtime fast", "Not fast", "Play a little slow" .
(7) CD disponível para download na Biblioteca do Congresso Americano
(8) Há duas faixas adicionais no CD supracitado: St. Louis Rag (Tom Turpin) e Ouverture de la Grande Rodent (B. Milne), ambas com Bob Milne ao piano.
(9) Biblioteca do Congresso Americano - Transcribed from Piano Roll (courtesy of Jack Whitstance).
(10) Minnesota Public Radio
(11) Creative Commons

terça-feira, 22 de maio de 2007

Chiquinha Gonzaga

Fonte: Palcos e Salões - Colectaneas Rabello, 1924, Vol 1
A Vovó dos Artistas (1)

Chiquinha Gonzaga foi um dos maiores valores femininos do Brasil. Na vida brilhante dessa grande artista há uma força recôndita a impeli-la para as iniciativas vitoriosas. Chiquinha Gonzaga foi o primeiro nome feminino que se popularizou na música brasileira. Afrontando a opinião severa da época, foi a primeira mulher que escreveu para teatro.

Animada pelos sucessos de suas partituras, para corresponder à homenagem do público que a festejava, regeu a orquestra do teatro conjuntamente com uma banda do teatro conjuntamente com uma banda de música militar, num espetáculo do Theatro Lyrico, em 1885. Tornou-se, daí em diante, a primeira maestrina brasileira.

Numa de suas viagens à Europa, reconhecida pelos apreciadores de suas músicas, diariamente aplaudidas em Lisboa na interpretação de Os Geraldos, cançonetistas do Rio antigo, viu-se na contingência de musicar libretos dos mais festejados teatrólogos portugueses. Foi assim a primeira mulher brasileira que se exibiu no estrangeiro como compositora teatral.

Completamente liberta de preconceitos, inteligente, bonita, elegante, sedutora mesmo, mas pobre, criou um tipo interessante, quando surgiu pela primeira vez de lenço à cabeça em lugar de chapéu. Foi além: desejando ouvir uma famosa cantora lírica e tendo verba, assistiu ao espetáculo das “torrinhas”. O fato, inédito no Rio, devia provocar escândalo. Ao contrário, Chiquinha, ao ser percebida, foi ovacionada pelos seus admiradores.

E, para dar um fecho de ouro aos seus ineditismos brilhantes, Chiquinha escreveu aos oitenta e três anos a sua última partitura, batendo o recorde de compositora. Mas isso não se deu só em relação à idade, também o foi em relação à música e quiçá em quantidade.

Chiquinha Gonzaga tem mais para mais de duas mil composições, desde as peças de maior responsabilidade aos maxixes malandros, verdadeira gíria sonora carioca. Compos setenta e seis partituras teatrais, apenas cinco peças inéditas e uma grande maioria de estrondosos sucessos.

Bem mereceu a popularidade que goza no Brasil e em Portugal. Não foi fácil, porém, a escalada para a glória. Ela mesma, quando determinou o epitáfio, confessou que sofreu e chorou, alegrando o povo de sua terra.

Quanta amargura devia ter sentido quando, depois de escrever a sua primeira partitura, a de Viagem ao Parnaso, de Arthur Azevedo, ouviu, de mistura com o elogio, a sentença cruel do empresário: Mulher não pode compor para teatro. Lágrimas benditas as que derramou a gloriosa artista. Deram-lhe forças para novas tentativas que foram coroadas de êxito retumbante.

Na história do teatro popular brasileiro fulge o nome de Chiquinha Gonzaga. O caso mais sensacional foi o do “Forrobodó”. Teve mil e quinhentas representações seguidas. Peça de novatos no tempo, Luiz Peixoto, Carlos Bittencourt, que tiveram a colaboração de Raul Pederneiras e a música de Chiquinha Gonzaga. A revista interessantíssima era de um humorismo irresistível. A montagem, porém, foi descuidada: custou apenas cento e vinte mil reis. Havia em todos, desde a estrela ao carpinteiro, uma grande má vontade. Ninguém esperava nada da peça. O próprio Alfredo Silva, ator querido, antes de subir o pano, lançou nos bastidores uma frase chula à peça. Só Chiquinha confiava no “Forrobodó”.Tinha certeza de que a revista seria um “Forrobodó de massadas, gostoso como ele só...”, por isso retrucou aos artistas: - Quem sabe se esse “Forrobodó” não lhe vai dar muito dinheiro! E deu mesmo, ao empresário e artistas, porque os autores, sem a regulamentação dos direitos autorais, não chegaram a ganhar cem mil réis.

Na estréia do “Não Venhas” de Baptista Coelho, o João Phoca, musicada pela maestrina, um autor despeitado pela preferência da exibição encomendara a claque uma grande pateada. Mal subiu o pano começaram as hostilidades que foram aumentando a ponto ser perturbada a representação. Raul Pederneiras, que estava na platéia, pulou no palco, juntamente com outros rapazes e, fazendo com que Chiquinha trouxesse à cena o autor, forçou a claque a desistir dos apupos sob aplausos da platéia. De Raul musicou Chiquinha vários números da revista “O Esfolado”, levada à cena em 1902.

A crítica aos votos eleitorais dos defuntos, tão usados pela politicagem da época, viveu no número “Meu defunto marido, o Garcia”, musicado por Chiquinha e interpretado por Éster Bergerath, que teve de voltar à cena várias vezes, tantos foram os aplausos.

“Jandyra”, linda peça regional sul-riograndense, de Rubem Gill e Alfredo Breda, na qual estreou Ítala Ferreira, comediante dos nossos dias, é uma original trama em estilo gaúcho, recompondo a vida agreste das cochilas. Com sugestiva música de Chiquinha alcançou grande sucesso no Recreio.

A famosa musicista não compôs apenas partituras para revistas ou fantasias musicadas: “As Três Graças” e “A Bota do Diabo” são óperas cômicas de música muito bem feitas. Nomes brilhantes como Arthur Azevedo, Valentim Magalhães, Ozório Duque Estrada, Oscar Pederneiras, Felinto de Almeida, Cardoso de Menezes, Antonio Quintiliano, Avelino de Andrade e muitos outros assinaram libretos com partitura de Chiquinha Gonzaga.

Muito nome consagrado entrou nos meios artísticos sob a influência da maestrina. Viriato Corrêa confessou publicamente que “em literatura teatral entrei guiado por sua mão generosa”. Foi em “A Sertaneja”, alias batizada por Chiquinha que não gostara do título apresentado para a peça: “A Mulata”. No dia da estréia a linda música de Chiquinha muito concorreu para os aplausos recebidos por Viriato que ao terminar o primeiro ato exclamou radiante: - Estou feito! “A Jurity” principalmente e “Maria” depois foram peças aplaudidíssimas.

Vicente Celestino simples corista, por imposição de Chiquinha estreou como cantor em “A Jurity”. A sua extensa voz de tenor assegurou-lhe a popularidade que goza. Procópio, que se inciara como ator de teatros suburbanos, encontrou em “A Jurity” e sob a influência de Chiquinha a sua primeira escalada para a fama que hoje desfruta. Raul Pederneiras referindo-se à música de Chiquinha afirmou que “fora a salvação de muita peça”.

Chiquinha foi a verdadeira mascote das peças teatrais. Muito franca, arrebatada até, era no entanto bondosa e prestativa. Mas não musicava peça que não lhe agradasse.

Envelheceu no teatro. Da memória da cidade não se apagará a figura simpática daquela velhinha que ao lado do filho extremoso comparecia a todas as estréias teatrais. No coração dos artistas brasileiros há de haver sempre uma homenagem de saudade para aquela que foi a “Vovó dos Artistas”.

Fonte: Palcos e Salões - Colectaneas Rabello, 1924, Vol 1Alma Cantante do Brasil

A história da música do nosso povo nos três primeiros séculos da vida brasileira permanece desconhecida. Os estudiosos nada desvendaram além dos meados do século XIX, quando se notam as primeiras tentativas de nacionalização da nossa música popular. Sente-se, porém, que a música do nosso povo, quase nativa, é bela entre as mais belas. A riqueza melódica e a variabilidade rítmica de todo o Brasil, ressoa na Cidade Maravilhosa onde se vão desdobrando as páginas brilhantes da sua história sonora.

Depois de Calado, primeiro professor de flauta do antigo Instituto Nacional de Música e maior flautista do segundo Império, segue-se a figura admirável de Chiquinha Gonzaga, grande compositora popular e primeira maestrina brasileira. A obra artístico-musical de Chiquinha Gonzaga é a própria alma brasileira a cantar, o esplendor da terra. A inspiração inata e pura da grande compositora, venceu preconceitos, calcou interesses e irreprimível, explodiu surpreendente, nova, estranha, mas, genuinamente nacional. A forma simples de expandir essa inspiração, não tem a ingenuidade espontânea do seresteiro, nem está presa a exigências técnicas de harmonização, possui entretanto uma e outra cousa.

A música de Chiquinha Gonzaga é uma verdadeira conciliação entre a “giria” sonora carioca e as produções de conservatório. Os recursos harmônicos da grande musicista, de uma originalidade encantadora resultaram composições admiráveis onde há som, perfume, ardência e sobre tudo sabor de cousa gostosa. O ritmo travesso vagueia irrequieto do terno ao romântico, ao quase lírico, do descritivo, do audacioso ao apoteótico, mas sempre sinceramente brasileiro. Não é cópia nem adaptação estrangeira, é o Brasil que canta a ardência do sol, o lirismo da lua, o mistério das florestas, os soluções das águas, o Brasil forte e ardente que gargalha ruidoso as suas alegrias e as suas festas.

Chiquinha Gonzaga que a 17 de Outubro completaria o seu 92º aniversário, deixou-nos preciosa obra musical. Mais de 2.000 composições sobre todos os gêneros, do sacro ao brejeiro, todas elas originais, únicas e 77 partituras teatrais de peças dos mais consagrados autores nacionais e portugueses, estando inéditas apenas cinco.

Durante 50 anos trabalhou pelo engrandecimento musical e teatral do seu povo. As suas composições são a síntese das nossas sonoridades tropicais, atravessaram o Atlântico, alegraram Paris, popularizaram-se em Portugal, chegaram à América do Norte e foram plagiadas em Berlim, segundo notícias de então.

Atrahente, a polca que marcou o seu primeiro sucesso, uma obra prima, Linda Morena, Menina Faceira, Carioca, Sultana, Saudade, Tupan, Sonhando, Sabiá da Mata, Radiante, Borboleta, Paraguassu, Cecy, Guayanazes, Jandira, Tapuia, Lua Branca e quantas outras que enriquecem o populário musical brasileiro. Nunca será esquecido o famoso “Ó Abre Alas” – fanfarra de sua autoria, que, há perto de cinqüenta anos, vem servindo de toque de reunir aos carnavalescos cariocas. Ainda hoje, mal soam os primeiros guizos da folia o povo canta alegremente:

Ó abre alas!
Que eu quero passar
Eu sou da Lyra
Não posso negar

“P´ra cera do Santíssimo”, um outro grande sucesso, foi uma cançoneta cuja música, escrita por Chiquinha, era uma sátira melodiosa aos “irmãos de opa”. “Forrobodó”, revista de costumes cariocas, de Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt, alcançou mais de mil representações com o seu baile na Cidade Nova. Dos seus tangos, nenhum foi tão famoso como o “Corta-jaca”. Essa dança sertaneja de origem afro-brasileira, sugerira a Chiquinha o tango maxixado “Gaúcho”. Tão ruidoso e prolongado foi o sucesso dessa música, que Nair de Teffé, a apreciada caricaturista Rian – esposa do então Presidente da República, incluiu esse tango no programa da última recepção presidencial, de 1914. O caso inédito na vida social do Rio, comentadíssimo, resultou na ascensão da nossa música popular às mais altas camadas da nossa sociedade.

Essa vitória foi devida à música fascinante de Chiquinha Gonzaga. A grande compositora não foi apenas a primeira maestrina brasileira, foi também a primeira mulher que escreveu música para teatro. Compondo tangos buliçosos, maxixes provocantes, partituras jocosas, passou toda a sua vida. Figura queridíssima nas rodas teatrais, foi a “Vóvó” dos artistas e assim conseguiu bater o “record” de compositora, escrevendo dois anos antes de partir para sempre, aos 85 anos de idade, a sua última partitura para a peça sertaneja de Viriato Corrêa – Maria.

Chiquinha Gonzaga que prodigamente esbanjou a sua inspiração e só tinha como riqueza a pauta e as sete notas musicais, morreu pobre. Alegre, simples e boa, foi a “Querida por todos”, como a chamou Calado ao oferecer-lhe uma polca, com esse título.

Na história do Rio antigo, Chiquinha tem um lugar destacado de mulher galante, de artista querida e de patriota sincera. Nas rodas elegantes sua figura fez época. Os fatos repetem-se.
Carmem Miranda, a famosa intérprete da moderna música popular brasileira, lançou em New York a moda do torço das baianas. Chiquinha Gonzaga, na mocidade, ideou graciosa maneira de dispor um grande lenço de seda sobre os seus cabelos ondeados e negros. Em vão pretenderam imita-la. Impossível. Ela ajeitava o lenço sobre a cabeça, no momento e com uma facilidade incrível. Invejada, contam que certa vez, uma dama de tradicional família do Império, passando por Chiquinha, na Rua do Ouvidor, num repelão audacioso, arrancou-lhe o lenço. Chiquinha não se mostrou agastada. Rápida, apanhou-o do chão, sacudiu-o, arrumou-o novamente ante o olhar arrogante da invejosa. Restaurado o adorno com uma simples palavra rematou o incidente – Feia! Foi coberta de ridículo que a tal dama seguiu sob a galhofa dos transeuntes.

Inteligente, culta e bonita, tudo lhe parecia sorrir, no entanto Chiquinha sofreu e chorou! Foi a sua confissão, quando determinou o epitáfio: - Sofreu e Chorou! Sofrendo e chorando conseguiu alegrar durante tantos anos o povo da sua terra e estancar as lágrimas dos negros quando ao lado de Patrocínio, Lopes Trovão e outros abolicionistas, trabalhou pela liberdade dos escravos, compondo, interpretando e vendendo suas músicas em benefício da confederação Abolicionista. Já velhinha, tomou a iniciativa do mausoléu de Francisco Manoel, autor do Hino Nacional Brasileiro, erigido no Cemitério de Catumby.

Nenhum título melhor cabe a essa grande brasileira, que o conferido pelo almirante Fournier, comandante da Divisão Naval Francesa do Atlântico, ao oferecer-lhe uma linda medalha bizantina – “Alma cantante do Brasil”.

Mariza Lira (2)

Notas:

(1) transcrição do texto original, escrito por Mariza Lira, feita por Jayme M. L. Filho em 22/05/2007.
(2)
Primeira biógrafa de Chiquinha. Musicóloga. Folclorista. Jornalista. Formada pela Escola Normal do Rio de Janeiro (na época Distrito Federal). Dirigiu a Escola Técnica Secundária do Rio de Janeiro. Foi membro da Comissão Nacional de Folclore (vide Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira).

Fonte do texto e das imagens: "Palcos e Salões - Colectaneas Rabello, 1924, Vol 1" (apresenta, sem critérios definidos, recortes de periódicos brasileiros da década de 1920 que tratam da programação cultural e de atores brasileiros). Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro – BIPERJ.